Jovem Direita com cara de Esquerda

Lembro-me da época em que eu começava na militância estudantil, na ala mais radical do PT, que seria logo expulsa do Partido, a Convergência Socialista, em um tempo em que esses valores de trazer o novo, a liberdade de expressão e de ser humano da maneira que quiser (Fernando Holiday, líder do MBL e vereador eleito em São Paulo pelo DEM, é a primeira pessoa abertamente gay a se eleger na Câmara de São Paulo), a vontade de politizar o mundo, e trazer gente que queira de fato militar em política … em um tempo em que ainda existem os sonhos de justiça e honestidade acima de tudo … enfim, seja pelo Brasil, pela elite burguesa ou pelos camponeses e operários de todo mundo … ali ainda existe a chama da esperança para a classe política. Ali, ainda existe um mundo político utópico, totalmente diferente do que este que assistimos no Brasil e em todo Planeta hoje em dia.

Contudo, bastarão algumas semanas dentro da Câmara de Vereadores de São Paulo, para este novo vereador ver seus que seus sonhos e de seus eleitores, não cabem no SISTEMA.

Resumindo: que cocô de elefante esse mundo político que criamos.

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Paul Sampaio, perfil, 1  Paul Sampaio – Autor

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Vereador mais jovem mora em ‘cafofo’ e se dividirá entre Câmara e faculdade

PAULA REVERBEL
DE SÃO PAULO

Fonte: FOLHA de SÃO PAULO

04/10/2016 02h00

A partir de janeiro, Fernando Holiday, 20, dividirá seu tempo entre o escritório do MBL, na Vila Mariana, a faculdade de direito, as visitas à mãe em Carapicuíba (SP) e as atividades da Câmara de São Paulo, onde conquistou uma cadeira pelo DEM.

Para conseguir conciliar a agenda, o líder nacional do MBL (Movimento Brasil Livre) conta com o fato de morar em cima da nova sede do grupo, que ficou conhecido por convocar protestos favoráveis ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Da sala principal, uma escada caracol leva ao mezanino de madeira que Holiday e outro jovem ligado ao movimento usam como quarto. Os colchões ficam no chão, roupas ficam guardadas na mala, roupão e toalha ficam pendurados nas vigas que sustentam o teto. Um vão separa a escada do mezanino.

“Minha mãe subiu uma única vez e não conseguia descer”, disse o vereador eleito. “Agora ela evita.”

Outras características de república estudantil são o fluxo constante de jovens que intercalam trabalho voluntário e lazer, a guitarra na sala no fundo e a máquina de fliperama com mais de mil jogos, situada logo abaixo do acesso ao quarto do futuro legislador da cidade.

Por enquanto, um único frequentador é citado por Holiday como alguém que ele certamente levará consigo para trabalhar no gabinete: Renato Batista, uma das lideranças do MBL paulista.

“O movimento precisa continuar, não vou ficar tirando pessoas, não vou levar o Kim”, explicou o futuro vereador, respondendo à possibilidade de outro líder nacional do MBL, Kim Kataguiri, ser nomeado seu chefe de gabinete.

O grupo não descarta abrir um processo seletivo público para algumas funções, como forma de aproximar do MBL novas lideranças que tenham afinidade com o movimento mas cuja situação econômica não permita trabalhar como voluntário.

“Pode ser que em um processo seletivo desses a gente acabe encontrando alguns tesouros por aí”, explica ele, que é a primeira pessoa abertamente gay a se eleger na Câmara de São Paulo.

Uma vez empossado, Holiday promete que buscará a conciliação e fará alianças para aprovar projetos, desde que haja um mínimo de convergências ideológica.

“Alianças feitas com base em ‘toma lá dá cá’, eu não vou participar de forma alguma e, inclusive, qualquer coisa do tipo que me for proposta, vou denunciar, vou abrir para a internet”, prometeu.

Os embates que Holiday protagonizou na Câmara, como quando interrompeu, em agosto, uma homenagem a Fidel Castro e foi detido pela GCM (Guarda Civil Metropolitana), poderão continuar acontecendo, dependendo da agenda da Casa.

“Uma das minhas propostas é mudança no regimento interno para que se proíba homenagens a ditadores, genocidas, assassinos ou qualquer figura ou fato histórico que tenha atentado contra a democracia ou os direitos humanos”, afirmou.

“E se houver, estarei lá para protestar contra”, assegurou. O ativista explicou que sua proposta abrange apenas homenagens e não discursos, para não atentar contra a liberdade de expressão.

Ele assegura que a regra valerá independentemente do viés político do homenageado em questão: “[Augusto] Pinochet, [Artur da] Costa e Silva, Fidel Castro ou Hugo Chavez –estarei lá para protestar contra”.

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