Facebook se posiciona estrategicamente pelos gays

O Facebook acertou em cheio na sexta; todas as outras marcas, não

 ▒ Durante toda a sexta-feira passada, dia 26 de junho, uma frase não saiu da minha cabeça: ‘Eu não sou o que eu sou, eu sou o que o cliente acha que eu sou’.

Ela tem a ver, quando estudamos um pouco de marketing, com posicionamento.

E posicionamento tem a ver com os quatro ‘Ps’ de marketing – os outros três são praça, produto e preço.

Na última sexta-feira, a palavra ‘posicionamento’ ganhou um sentido real, palpável, até. A Suprema Corte dos Estados Unidos havia acabado de legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o território norte-americano. A decisão, por si só histórica, foi seguida de algo muito interessante do ponto de vista de empresas, marcas, negócios, empreendedorismo e, olha ele aí de novo, posicionamento.


Mark Zuckerberg, criador do Facebook, também comemorou o acontecimento

Mark Zuckerberg, criador do Facebook, também comemorou o acontecimento


O Facebook passou a permitir que seus usuários ‘tingissem’ a foto de perfil com as cores do arco-íris, o símbolo – nos Estados Unidos e no mundo – da luta pelos direitos dos gays e lésbicas. Ato contínuo, a minha, a sua, todas as ‘timelines’ foram inundadas pelas fotos que diziam algo muito importante: apoio à decisão da justiça.

O que houve ali, do ponto de vista do marketing, foi posicionamento. O Facebook acertou em cheio ao captar uma vontade de boa parte dos  seus clientes – manifestar apoio à decisão norte-americana – e teve agilidade suficiente para disponibilizar a esse cliente algo para ele se manifestar publicamente na velocidade que a internet exige das empresas.

A marca foi além: tomou partido de uma causa, o que nem sempre acontece.

Depois, outras tantas marcas também se posicionaram. Mas arrisco a dizer que o fizeram com a segurança que a ‘onda arco-íris’, que tomou conta do Facebook, garantia. O desejo do consumidor estava manifestado e pronto.

Agora, advinha quem venceu a batalha pela mente do consumidor por se manifestar primeiro: A turma do Mark Zuckerberg, não acham?

Quando falamos em posicionamento, uma empresa deve traçar estratégias e ações para que o consumidor perceba a sua empresa como ela quer. Conforme me disse o professor Mario Eduardo Gomes da Cunha, que leciona essa disciplina no MBA da FGV, “quanto mais você souber o que vem na cabeça do consumidor sobre a sua empresa, melhor”.

O Facebook acho que sabe. E você?

29 de junho de 2015

fonte: Daniel Fernandes é editor do Estadão PME


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