Brasil repudia Israel e sai do País

 

Brasil condena Israel por ofensiva na Faixa de Gaza

Itamaraty convocou o embaixador em Tel Aviv para consulta. Governo israelense repudiou a decisão: “apoio ao terrorismo

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Israel usou um tom mais direto.

“O Brasil está escolhendo ser parte do problema, em vez de integrar a solução.” “Seu comportamento nesta questão ilustra a razão pela qual esse gigante econômico e cultural permanece politicamente irrelevante.”

REDAÇÃO ÉPOCA
24/07/2014 11h51 – Atualizado em 24/07/2014 11h53
Brasil e Gaza
Brasil e Gaza

O governo brasileiro criticou na quarta-feira (23) a ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza e convocou, temporariamente, o embaixador em Tel Aviv, Henrique Pinto, de volta ao Brasil para consultas. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que é “inaceitável a escalada de violência entre Israel e Palestina” e condenou “energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza”.

O governo israelense criticou o posicionamento do Brasil. “A decisão não contribui para encorajar a calma e a estabilidade na região”, diz a nota oficial. “O que estes passos fazem é dar um apoio ao terrorismo, e naturalmente afetam a capacidade do Brasil de influenciar (a região do Oriente Médio).” Para Israel, o retorno do embaixador “não reflete o nível das relações entre os dois países e ignora o direito de Israel e se defender”. Ainda segundo a nota, Israel “espera apoio de seus amigos em sua luta contra o Hamas, que é reconhecido como uma organização terrorista por muitos países do mundo”.

Abaixo, a íntegra da nota do Itamaraty:

O Governo brasileiro considera inaceitável a escalada da violência entre Israel e Palestina. Condenamos energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza, do qual resultou elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças.

O Governo brasileiro reitera seu chamado a um imediato cessar-fogo entre as partes.

Diante da gravidade da situação, o Governo brasileiro votou favoravelmente a resolução do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre o tema, adotada no dia de hoje.

Além disso, o Embaixador do Brasil em Tel Aviv foi chamado a Brasília para consultas.

Confrontos na Terra Santa

A nova onda de violência na região começou em junho, após três jovens israelenses terem sido sequestrados e mortos por militantes islamistas na Cisjordânia. No dia seguinte, um jovem palestino foi encontrado morto, com sinais de tortura, provavelmente como forma de represália. No dia 8 de julho, Israel iniciou a chamada Operação Margem Protetora, com intensos bombardeios aéreos à Gaza. Do outro lado, a resposta palestina tem sido o lançamento de foguetes contra cidades ao sul de Israel.

Na última quinta-feira (17), Israel iniciou uma incursão terrestre à Faixa de Gaza, envolvendo as unidades de infantaria, artilharia blindada, artilharia e unidades de inteligência coordenada com a Marinha de Guerra e a Aviação. Israel diz que a intervenção terrestre tem dois objetivos: acabar com a capacidade ofensiva do movimento palestino islâmico Hamas e localizar e destruir túneis construídos na Faixa de Gaza, que dão acesso ao território israelense. Nos 17 dias de ofensiva militar em Gaza, pelo menos 733 palestinos e 35 israelenses morreram. Entre os mortos, há pelo menos 121 crianças palestinas. Além disso, 4.600 palestinos ficaram feridos.

Versão Impressa - Capa de hojeIsrael repudia crítica do Brasil sobre bombardeios na faixa de Gaza

DIOGO BERCITO
ENVIADO ESPECIAL A GAZA – FOLHA de SÃO PAULO

24/07/2014 07h18

O governo israelense respondeu, nesta quinta-feira (24), com repúdio ao gesto diplomático realizado pelo Brasil no dia anterior –quando convocara seu embaixador em Tel Aviv, Henrique Pinto, para consultas sobre a morte de civis na faixa de Gaza.

À Folha, a chancelaria de Israel afirmou oficialmente que “o Brasil está escolhendo ser parte do problema, em vez de integrar a solução”. “Seu comportamento nesta questão ilustra a razão por que esse gigante econômico e cultural permanece politicamente irrelevante.”

O gesto foi recebido, porém, com loas na faixa de Gaza. Palestinos se aproximavam da reportagem da Folha para agradecer-lhe.

“Obrigado por convocar seu embaixador”, diz Tawfiq Abu Jamaa, em Khan Yunis. “O Brasil é melhor do que os países árabes, como o Egito, que não fazem nada”, diz.

Para Sabri Abu Jamaa, “a população civil, em Gaza, não precisamos de recursos. Precisamos de palavras de apoio, como as brasileiras”.

O governo brasileiro havia afirmado, na quarta-feira (23), considerar “inaceitável” o “uso desproporcional da força”. Israel tem bombardeado a faixa de Gaza em uma operação militar há mais de duas semanas, com mais de 700 mortos, a maioria deles considerados civis.

A nota brasileira não cita, porém, os ataques da facção palestina Hamas, que já lançou mais de 2.000 foguetes contra o território israelense, levando à suspensão temporária de voos chegando a Israel ou partindo do país. Três civis e 32 soldados já foram mortos.

O Itamaraty, além de convocar de volta a Brasília o embaixador Pinto, chamou o embaixador de Israel no Brasil, Rafael Eldad, para protestar. Os gestos são vistos pela comunidade diplomática como sinais de repressão.

O descontentamento expresso pela chancelaria brasileira veio na sequência de uma reunião de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, onde foi aprovada uma investigação da ação israelense, com o apoio do Brasil.

 

 

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